"Aqui há atrasado", no fim-de-semana antes deste que passou, um gangue sedento de contacto com o que mais popular existe na sociedade portuense, meteu mais uma vez os pés ao caminho e à semelhança do ano passado realizou o Rally Dakar das Tascas 2009, patrocinado pelo livro "As Tascas do Porto". A principal mudança em relação a 2008: começámos o périplo a meio da tarde e não ao fim da tarde pois a essa hora a "caderneta" já está de abalada para ir ter com a patroa e para o calmo repasto familiar de sábado à noite. Assim, por volta das 4 da tarde, tentámos começar pela "Flor de Nevogilde". Tentámos pois estava fechadíssima. Siga a rusga. Próxima paragem, a afamadíssima "Badalhoca", famosamente encerrada também... Já estávamos a dizer mal da nossa vida, ainda por cima cheios de sede quando nos dirigimos para um sítio que não nos deixaria ficar mal de certeza, a zona da Cantareira, ao pé do Passeio Alegre.
Adega Palmeira
Quando se se vem do Jardim do Passeio Alegre e de "desfaz" a curva dos Pilotos, em antes da "Paparoca da Foz", há duas tascas seguidas, a Adega Palmeira a primeira delas... Início de etapa, ainda algum pudor em interagir com tudo o que mexe e o que não mexe, mas meia dúzia de sandes de presunto e o fino a 50 cêntimos deram para palrear com o senhor José, luso-brasileiro que voltou para Portugal há alguns anos e agora gere o estabelecimento, outrora conhecido pelos cerca de 1200 bonés pendurados no tecto da tasca (com prai 20 m2). Nas palavras do proprietário "a culpa foi da ASAE que me obrigou a tirar o estaminé todo..." Vá-se lá saber porquê... Venha a próxima
Adega Cantareira
Vizinha da Palmeira, a Adega Cantareira foi mais um pit-stop onde aproveitamos para meter mais gasolina com malte no depósito... Ao balcão serviam o pai e o filho, quer dizer, o filho fazia que servia, pois quando lhe pedíamos alguma coisa, o miudo começava a choramingar pelo pai. Etapa curta, sem dunas, quase como um pequeno contra-relógio.
(encher os depósitos - Adega Cantareira)
Quiosque
E prontos! Eis-nos chegado a um dos momentos altos da prova, um sítio onde todo o portuense que faz o caminho marginal do rio passa mas quase nunca teve coragem para ir lá sentir o pulso aos habitués. O "Quiosque", mesmo em frente à "Flor do Gás", o barco que leva o povo para a Afurada. Frequentado essencialmente por reformados, a maioria deles residentes nas torres do bairro do Aleixo, aqui se desfolha a caderneta completa de cromos populares... Desde o contínuo da Univ.Católica que esteve a dar uma seca de uma hora a um dos participantes, até ao Sr. Martins, a figura de proa de um início de tarde glorioso. Contar por palavras o que é o Sr. Martins chega a ser injusto mas vou tentar fazer o meu melhor. Por sinal, aqui bebeu-se um bom vinho de mesa e um ainda melhor vinho do Porto. Mas voltando ao Sr. Martins:
- Então Sr. Martins, o que faz da vida?
- Ah, sou reformado...
- Reformado? Trabalhava em quê?
- Era marítimo...
- (início de gargalhada) Marítimo??? Andava no mar?
- Não, fui portuário, trabalhava na lota...
- Ah... E agora está reformado...
- Pois, mas a reforma não dá para grande coisa... (suspiro)
- Ah, não? Então quanto ganha de reforma? (aqui se notam os copos a falar também, para a lata da pergunta)
- Nada de especial, apenas 900€ por mês (!!!)
- 900????????? Fogo, nada mal!!!
- Oh, não dá para quase nada... O catraio e a patroa chulam muito!
- (risos) Oh Sr. Martins, o senhor devia era aproveitar para ir viajar, conhecer o mundo...
- Oh, mas eu ainda o ano passado fui viajar... Fiz uma viagem internacional...
- Ah, sim? Onde?
- Oh, fui com a minha Maria para Benidorm...
- (gargalhada geral) Ah, malandro, isso é que é viver... E que tal? As garinas?
- Oh, nem me diga nada, andava lá uma na piscina sempre a fazer top-less, até andava maluco... Mas com a mulher lá, nada de grande coisa se podia fazer...
- Mas...
- Mas houve uma noite em que fui deitar a minha esposa, disse-lhe que ia ao bar tomar um copo e não demorava... E pimba, fui afinfar na tipa!!!
- (tudo a rir-se) Ui, as espanholas são do melhor, han?
- Que quê? A gaja era de Espinho!
- (veio tudo abaixo, engasgámo-nos com tremoços e vinho, foi a risota completa)
E este foi o sr. Martins, que ainda nos convidou para um almoço de caça em Março na Serra da Estrela. Viagem até Gouveia + 4 entradas + 5 pratos de caça + 4 sobremesas + vinho à discrição = 25 aéreos... Bem sweet! Ainda estamos a ponderar a cruzada até lá. De morrer a rir seria, sem dúvida!
Passando a dura contagem de montanha do Quiosque, entrámos num sítio do ano passado, a "Adega Rio Douro" que está francamente aperaltada, em virtude das obras impostas pela maldita ASAE, que aos poucos vai estragando este espólio maravilhoso das tascas tripeiras... Enfim, amersendámos nos bancos corridos e foi um fórróbódó de sandes de morcela, rojões, etc, etc, tudo servido pela D. Alice, outra das figuraças da noite, sempre de touca à cabeça e que fez a fineza de nos arranjar toucas para todos (ver foto abaixo). Começava a caír a noite e o índice de alcoolémia a subir... Ui, ui...
Caseirinho e União Invicta de Massarelos
Chegadinhos a Massarelos e com mais reforços acabadinhos de chegar, decidimos comer algo mais a sério no Caseirinho. Um pica-pau que foi devorado em 13 segundos e um encontro imediato com um escocês, chamado Bob, que tinha vindo da Escócia de propósito para o Porto para guiar eléctricos!!!!!!! Dá para acreditar? Mas o scotsman, encantado com a nossa simpatia, deu-nos uma data de referências para uma eventual visita às Highlands ainda este ano. Uma nova edição do Rally Pubs nos espera.
Depois, ala para a União Invicta de Massarelos, onde nos aguardava um Braga-FC Porto sempre ao ritmo de mais uns finórios e com o sabor daquelas gomas sebentas com sabor a banana e morango...
F.C. Miragaia e Grupo Musical de Miragaia
Lamento mas já não tenho grandes memórias destes sítios, a não ser pelo facto de termos jogado ao meiinho com a gunada local e de estarmos no FC Massarelos e no costumeiro Grupo Musical de Miragaia onde somos sempre bem recebidos... Por esta altura finalmente o elemento feminino chegou, com a presença da miniMarisa, sempre de sorriso aberto mas com muito atraso para o resto do pelotão.
Epílogo / Conclusão
Cada vez mais gosto da minha cidade, principalmente por causa destas coisas. É inacreditável poder reunir um grupo de cromos a um sábado para ir conhecer cromos ainda maiores e dar umas gargalhadas estridentes... Quem não foi é que deve ter ficado com pena. Mais iniciativas do género se esperam para quando o tempo aquecer e tenho quase a certeza que mais pessoas hão-de aderir à causa! Ficam as últimas fotos, por sinal tiradas por mim, apesar de não me lembrar grande coisa... E eu fui como à Cinderela, à meia-noite estava pronto para ir para casa!











8 comentários:
Tínhamos prometido à D. Alice que não contávamos a ninguém, senão a mãe chateava-se...
Num tens mesmo bergonha nessa frunha...
Atão isto conta-se assim?
Ainda bem que num apraceu neñuma fota minha, carago!
E as bergonhas que fizeste plo caminho e num só?
E inda pru cima confeçaste que foste imbora cedo...
Ficabas até ao fim, no Pinguim, até perto das seis, pá!
Prá próxima num sei se bou...
Mona Lisa
Isso digo eu!! Com franqueza 1)!!...Depois, anda para aí um indivíduo a lamuriar-se que não tem tempo para "montar" a casa...Com franqueza 2)!!!... O que é que pais de família andam a fazer pelas tascas? A tomar conta dos meninos?...
que risota! tenho mesmo pena de nao ter ido... mas nao deu!
Abraço grande, Preto
Adorava saber como é que tu nesta altura do campeonato aida não te faleceste todo!!! Ainda tens fígado??? :p
Sempre o mesmo, sempre em cima do acontecimento!! Também quero uma noitada destas!
Beijo grande Pimpi **
Diz o homem que já é Doutor !
"Habias" de ter vergonha com essa idade !!!
Grande abraço
Zé Pascoa, o ucraniano
Dei por falta de um elemento: o pinguim. Foi destituido do grupo?
;)
Parabéns, Sr. Dr.
Para a próxima contem comigo
Abraço
Igor
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